TEXTO PERFEITO!
Relacionamentos acontecem.
Você não precisa força-los. Tampouco apressá-los. Pessoas ficam juntas porque
querem, no momento em que decidem juntas. Querer já é muito e ajuda a eliminar
algumas dúvidas. As dúvidas existem porque pensamos nelas. E tudo está sujeito
ao engano. É incontrolável. Como evitar cair em relações de
dependência? Seja responsável por você: pensamentos, sentimentos e atos. Parece
banal, mas não é. Não tente impor ao outro sua responsabilidade com relação a
você mesmo. Ele gosta de você, mas não é tão responsável por você assim. Você
responde por você, ele responde por ele. Amor não se cobra. Atenção também não.
Carinho muito menos. Tenha isso em mente. Não tenha a obrigação de corresponder
às expectativas do outro em todos os momentos. Ele as criou. Não o obrigue a
corresponder às suas expectativas em todos os momentos. Você as criou. A moeda
da culpa é muito alta. Não se culpem à toa. Não usem chantagens baratas, usem
as mais elaboradas, em momentos oportunos. Não somos animais de estimação: não
tentem se domesticar. Não somos animais selvagens: não tentem se enjaular. Não
estejam nem queiram estar presentes na vida um do outro o tempo todo. Ninguém
nasce com duas sombras. E quando estiverem longe, não se liguem toda hora. Todo
mundo pode esperar. Na vida é bom saber detectar o que é urgência de fato. O
resto é controle. Não ligue antes de dormir para saber onde ele está com a
desculpa “só liguei pra dar boa noite”. Você não é mãe dele e vocês não têm 12
anos. Só liguem quando quiser, ou precisar, e não porque ele quer que ligue.
Não deixem que os monstros da comunicação instantânea assombrem. Um SMS não
respondido imediatamente, uma ligação sem retorno, ficar um dia sem se falar:
não foi nada! Vocês não precisam checar o celular um do outro, fuçar as redes
sociais, ter acesso aos e-mails pessoais. Quem inventou essa loucura? Não se
controlem a ponto de ficarem com preguiça de se ver. Não aceite ser a polícia,
o juiz ou o algoz de que você gosta. Sejam, menos ainda, vítimas um do outro.
Não façam planos vitalícios com ninguém. E não se culpem por isso. Conversem
sobre tudo, mas não discutam todos os lados da relação sempre. Incentivem-se,
mas não virem o senso de direção um do outro. Não faça surpresas demais, não
agrade demais. Ele não é seu filho único. Repito, que se vocês estão juntos é
porque querem estar. Isso já é tão belo. Tenha assuntos e amigos pessoais, ele
não deve ser seu único assunto e interlocutor. É sempre bom ter o que fazer na
vida. Trabalho e lazer. É recomendável ter muitas coisas para pensar, como
ideias e viagens. Hoje você vai sair sem ele e tudo bem. Amanhã ele vai viajar
sem você e tudo bem. Hoje você vai encher a cara com seus amigos. É sempre bom.
Depois de amanhã vocês podem ir ao cinema juntos! Então saibam se divertir
juntos. E saibam se divertir um sem o outro. Não se violentem. A tortura é uma
técnica menor. Pode dormir na casa dela, mas lembrem-se: você não mora lá.
Pegação não é flerte. Flerte não é paixão. Paixão não significa romance.
Romance não é namoro. Namoro não é casamento. Casamento não é virar uma pessoa
só. Duas bocas, oito membros, duas cabeças, dois corações, dois organismos que
só se comunicam com o mundo usando verbos na primeira pessoa do plural. Isso é
mutação. Briguem por motivos reais. Tenham ciúme por motivos reais. 90% dos
casos os motivos não são reais. Você tem passado. Ele tem passado. Ciúme do
passado é motivo irreal. Você tem seus segredos. Ele tem os segredos dele.
Respeitem-se. Aprendam a ensinar que respeito não envolve hostilidade. Tudo
isso não quer dizer que ele tem outra pessoa, que você se apaixonou por outra
pessoa ou que vocês se gostam pouco. Tudo isso vai fazer vocês gostarem mais um
do outro. Antes de você existir na vida dele ele já existia. Existir não é
tarefa fácil. Tem que deixar a existência arejada, sempre, pra poder existir ao
lado de alguém. Mais disposto e com mais vontade. Que bom que você chegou na
vida dele. Mas ele não nasceu de novo. Tudo vai se adaptar ao novo cenário.
Tenham paciência. É exercício. Tentem cortar as ilusões de domínio: não
funcionam com territórios, não funciona com conhecimento, nunca vai funcionar
com pessoas. Isso adia os finais trágicos das relações possessivas. E torna as
relações mais inspiradoras. Essas duram mais. No pós-romance as pessoas não
precisam explicar tanto. Elas estão juntas porque querem. Isso basta. Fim.

0 comentários:
Postar um comentário